Seios nus, redondos e fartos, que ficavam expostos na sala do palácio residencial onde Silvio Berlusconi concedia suas conferências de imprensa, incomodavam o atual primeiro-ministro da Itália.Berlusconi, ou segundo a versão oficial, seus assessores, não achava interessante para a sua imagem ter a sua cabeça aparecendo constantemente sob seios nus.
Erro de julgamento seu, aliás: tratava-se da única prova que detinha contra aqueles que diziam não ter nada na cabeça.
Mas de quem seriam tais seios? Tratar-se-iam dos da ministra da Igualdade, Mara Carfagna, antiga top model italiana que várias vezes no passado foi fotografada com os seios à mostra?
Não, os seios não eram os da ministra.
Mas de quem seriam, então, os fartos e exibicionistas seios?
Os mesmos eram da Verdade. Isso mesmo: da Verdade!, pois esse era o nome da mulher pintada pelo artista veneziano Giovanni Tiepolo (1696-1770), no século XVIII, em sua obra “La Verita Svelata dal Tempo” - A Verdade desvendada pelo Tempo.
Bizarro: em tempos de seios de mentira, Berlusconi se incomodando com seios de Verdade...
E não é que o primeiro-ministro, ao invés de mandar trocar o quadro (detalhe: quadro por ele mesmo escolhido), mandou pintarem uma réplica do mesmo, réplica com seios fartos, redondos, mas com uma diferença: com seios tapados!?!?
Desgraçadamente, o direito moral do autor, que é previsto pela Convenção de Berna no seu artigo 6-bis, e que protege sua obra contra mutilações e modificações, foi desrespeitado justamente por aquele que deveria zelar pelo patrimônio cultural de seu país.
Ingênuos seríamos, porém, se esperássemos, de um primeiro-ministro que não tem compromisso nem mesmo com a Verdade, o respeito - mesmo que mínimo - ao direito autoral alheio...
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